Gosto de ler. Mas não me imagine com os olhos fixos em algum livro de trezentas e tantas páginas, devorando longos textos explicativos sobre um único assunto. Não discuto que seja um importante meio de se obter conhecimento. Sim, é verdade que muito se aprende com bons livros, assim como também é indubitável afirmar que a leitura é que traz o discernimento, a ciência, o saber.
Também não sou adepto a extensos livros de romance, ficção ou qualquer outro tema. Já o era outrora, quando dedicava intermináveis horas a deixar minha imaginação vagar pelas fantasias criadas a partir das páginas que me falavam. Assim reitero: o bom hábito da leitura nos torna perspicazes, mais críticos e, portanto, questionadores, desenvolvendo nosso intelecto, ampliando a capacidade de raciocínio e, consequentemente, a inteligência.Falácias
O que atrai os meus olhos são, na verdade, pequenos textos. Pode ser uma opinião, um artigo, uma notícia de jornal, uma mensagem no Facebook, uma frase no Tweeter. Parece banal, tosco aos olhos de muitos. Porém, sou uma pessoa observadora que vê (ou escuta), nas entrelinhas, o sussurro dos pensamentos e das ideias por trás do que é exposto. E, tenho percebido o quão fácil tem-se tornado o proferir bobagens, tolices. Todos, de certa forma, têm opiniões para tudo. Porém, poucos o fazem de forma coerente, sensata. Muitos utilizam-se do verbo para causar impacto, polêmica e, infelizmente, a autopromoção, despreocupados com as consequências de seus argumentos que, em sua predominância, nada mais são do que falácias ao vento.
As redes sociais são bombardeadas incessantemente por frases provocativas, impactantes. Faz-se citações impensadas tão facilmente quanto em uma conversa de botequim. Mas, me admira que, cada vez mais pessoas públicas como atores, cantores e políticos entrem nesse modismo desorientado e, como não dizer, irresponsável. Percebo uma tentativa quase que desesperada em querer "aparecer", ser visto e lembrado nas mídias. Leio algo aqui, algo ali. Junto as peças espalhadas por detrás das cortinas, nos bastidores, e pronto: foi-se mais uma frase ao vento, desmentida pelos fatos verdadeiros que muitos hoje desconhecem, justamente por reportarem sua atenção a esses argumentos artificiais, julgando-os como justos e verdadeiros! Ora, mas quem falou? Em quais circunstâncias? A fonte é confiável? Não há indagação e, por conseguinte, indignação, o que encoraja os faladores a despejarem mais e mais impensadas ou, até mesmo, desconexas frases e opiniões.Sabedoria
Como diz o ditado popular: "O papel tudo aceita". O pobre papel, inanimado e escravo de tantos loucos que sobre ele riscam suas inverdades. Por sua condição de objeto não tem escolha. Porém, conosco não pode ser assim, pois ler não se fundamenta apenas em correr os olhos sobre manuscritos. Consiste, também, em decifrar as informações que recebemos. Portanto, ler, assim como escrever, devem vir acompanhados de muita sabedoria.
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