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EDUCAR E ENSINAR

A discussão sobre o papel da escola tem-se tornado cada vez mais assíduo entre a população. Enquanto a escola tem buscado, junto ao seu ofício de unicamente ensinar, mecanismos que somam na educação de alunos, muitos pais têm discutido o que, afinal de contas, deve ser ministrado nas instituições.

EDUCAR

Comecemos, então, por entender os conceitos de educar e ensinar. Educar origina-se do latim educare que, em sua raiz significa, literalmente, "conduzir para fora", ou seja, levar o indivíduo pela mão, habilitando-o à sociedade. Aquele que é educado recebe as informações necessárias para caminhar sozinho, levando em consideração aquilo que recebeu como educação, o que lhe foi demonstrado. Podemos assim dizer que, a partir do momento que nascemos, nossos pais começam este processo conosco mesmo que involuntariamente. Somos levados a aprender com os exemplos daqueles que nos rodeiam e formamos nosso caráter com aquilo que somos alimentados visual e verbalmente. Atitudes, palavras, gestos, ações e tudo o que nos cerca formam nossa visão de comportamento e vão moldando nossa condição, nossa índole. Assim, a frase "educação vem de casa" sentencia-se uma inquestionável verdade.

pais educando
Percebemos aqui uma importante relação entre os responsáveis pela educação de uma criança ou de um jovem (sejam pais biológicos ou adotivos, sejam avós, outros parentes ou, ainda, tutores) e o próprio educando. Os primeiros são, impreterivelmente, ainda que se abstenham, agentes motivadores diretos na formação da conduta de seus aprendizes, enquanto que os segundos captam, processam e armazenam essas informações como verdades e diretrizes que os guiarão pelo resto de suas vidas.

educandoÉ de suma importância considerar que jovens são, por sua natureza, propensos a assimilar tudo, inclusive o que aprendem nas ruas, nas mídias e redes sociais resultando, por vezes, na deturpação daquilo que é orientado em casa. Diálogo aberto e, sobretudo, bons exemplos sempre foram, são e serão os melhores métodos para educar valores, cultura, amor, direitos e deveres.

ENSINAR

Diferente do que muitos imaginam, educar e ensinar não são sinônimos assim como, também, não têm correlação para existirem. Enquanto o educar faz alusão à formação e manutenção do caráter e da personalidade, o ensinar volta-se ao ofício de repassar conhecimento, instruindo alguém racionalmente, levando-o a conhecer determinados aspectos, disciplinas, teores, técnicas, etc. Aquele que é ensinado tem a oportunidade de tornar-se sábio, conhecedor, letrado.

As primeiras escolas, como hoje conhecemos, surgiram no século 12 na Europa. As crianças aprendiam a ler e escrever, fazer contas e, também, eram repassadas algumas lições do catecismo. Este modelo, com sala de aula, professores e alunos, segue nos dias atuais porém, logicamente, foram incrementadas outras disciplinas como biologia, história, geografia, física, etc.compondo o sistema de ensino pedagógico.

CONTRAPONTO

O que causa tamanha discussão, no entanto, não são os ensinamentos da matriz curricular, mas aquilo que se refere à educação - a parte que deveria caber aos pais e responsáveis - ser abordada nas escolas. É fato que os estudantes têm, a olhos gritantes, se mostrado carentes da educação que deveria vir do lar, resultado da conduta de pais negligentes, que espelham maus exemplos e que deturpam valores fomentando, em meio à sociedade escolar, uma necessidade de desenvolver nos aprendizes esta supressão. Cria-se, assim, um conflito com aqueles que desempenham seus papéis de educadores familiares, pois estes defendem a ideia que a formação do caráter e da personalidade devem ser atribuições decentralizadas da escola, cabendo a esta unicamente ensinar e não educar.

Tal argumentação faz-se compreensível se tomarmos por ponto de vista a padronização de ensino. Se todos receberem, rigorosamente, as mesmas diretrizes para a formação de suas índoles, corre-se o risco da perda de identidade, que carrega os vínculos domésticos como cultura, tradições e costumes. De igual maneira, não podemos ignorar que a forma de refletir e agir tem grande influência nos exemplos familiares. Assim, uniformizar pensamentos, sobretudo julgando-se a maneira correta de reflexão é, sobremodo, um risco à liberdade de percepção e entendimento.
padronização
Simultaneamente a isso, podemos ainda avaliar que, assim como temos pais deseducadores, também temos professores e instituições que praticam o ensino desviado, pregando a parcialidade ideológica, ditando suas opiniões, suplantando leis, estatutos, regras e, até mesmo, bons costumes. Terrivelmente o impacto sobre todo este impasse recai sobre as crianças. Podemos já identificar, de forma incontestável nessa nova geração, as consequências das informações (ou seriam desinformações?) que transmitimos observando, entre docentes e alunos, casos de desrespeito, inversão de valores, incitação à violência, entre outros.

NEUTRALIDADE

Infelizmente, existem relatos comprovados que alguns lecionadores, com a anuência de estabelecimentos de ensino, inclusive, influenciam seus alunos com parcialidade quando deveriam, na verdade, apenas para exemplificar, ensinar o que é e como funciona o sistema político esquivando-se de apadrinhar pessoas ou partidos, elucidar o que são sistemas de governo sem favorecimento por algum regime, instruir sobre a religião e seu papel na história sem demonstrar empatia por uma ou outra, explicar sobre o racismo, assim como qualquer forma de preconceito com imparcialidade e sem vitimismo, explanar a respeito da ideologia de gêneros, mostrando que a igualdade de direitos e deveres se dá a heterossexuais assim como, também, a homossexuais.

Nesse sentido, transcorre pelo país o projeto Escola Sem Partido, que busca garantir - afixando-se um cartaz nas salas de aula do ensino fundamental e médio - o cumprimento de deveres dos professores expressos na Constituição Federal e na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, dando aos alunos a conhecer seus direitos à liberdade de receber dos pais a educação moral, política, religiosa ou ideológica, cabendo ao preceptor ensinar de forma imparcial, ética e justa, evitando uma triste realidade que assombra os ambientes escolares: a doutrinação.

DIVISÃO DE TAREFAS



Por fim, importa destacar a indiscutível funcionalidade da escola junto a crianças, jovens e adultos quanto ao ensino do Português, Matemática, Ciências, Geografia, História, práticas físicas e artísticas, etc. Da mesma maneira, tem se mostrado amplamente relevante em sua missão de ensinar a ter discernimento crítico. Contudo, é inegável a importância de separar estes dois conceitos - educar e ensinar - criando projetos, campanhas e o que mais estiver ao alcance da sociedade para que pais e responsáveis possam, significativamente, aprimorar a a educação que transmitem a seus filhos e protegidos, elaborando formas de os incentivarem a serem bons educadores e, desta forma - uma vez desprendida da tarefa de educar - habilitar as instituições escolares a melhor atender as futuras gerações com um ensino mais forte e qualificado.

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